Tudo começa com a aparência física e o nome – Parte III – Os problemas criados pelo nome

E por fim há também o nome. O nome é uma marca pessoal que tem sua origem na família. Mudá-lo, ainda mais por razões políticas, não é bem visto. Cheira a oportunismo, ambição, desrespeito para com seus familiares. Por outro lado, há nomes que verdadeiramente complicam uma carreira política.

Assim como defeitos ou imperfeições físicas, eles atraem a atenção, são de difícil pronúncia, e podem prestar-se a trocadilhos e pilhérias.

Como lidar com um candidato cujo nome é Zschau? Ou com um nome extraído do antigo testamento, como Matusalém? Ou com um nome que possui um significado jocoso no jargão popular? Algumas regras para lidar com este problema:

  • Se o nome colidir com a imagem desejada, deve-se tentar “administrar” o uso do nome, mas não se deve substituir ou abandonar a imagem

Os publicitários devem ser capazes de encontrar formas criativas de contornar o problema. Atente-se para o exemplo seguinte, que deu uma solução criativa à questão do nome do candidato, fazendo-a reverter em benefício político: “Uma candidata a governador pelo estado do Alaska, nos EUA, de nome quase impronunciável pela sua complexidade, contornou o problema usando comerciais onde ela aparecia com o nome impresso na tela e várias crianças tentando, sem sucesso, pronunciar seu nome, e, ao final, caindo em gargalhadas. A seguir aparecia uma voz que dizia o seguinte: “é melhor chamá-la mesmo de governadora”.

Foi uma saída bem humorada, simpática, politicamente neutralizada (riso de crianças, mas não de adultos), e com uma proposta de solução: “chamá-la de governadora”, que lhe era politicamente vantajosa.

Já um nome bíblico, pode, com facilidade, prestar-se para pilhérias e para o ridículo. Nestes casos, usa-se o nome pelo qual o candidato é mais conhecido, o qual, pode-se supor, é aquele com o qual as pessoas estão mais acostumadas.

Uma outra solução é usar o nome completo: pré-nome e sobrenome, o que implica em impor respeito. Imagine, neste caso, um candidato concorrendo apenas com o nome Matusalém (alto risco de pilhérias), e o mesmo candidato concorrendo com seu nome completo, por hipótese: “Vote em José Matusalém Ferreira”.

  • Se tiver um nome muito estranho ou de difícil pronúncia deve tentar popularizá-lo e reforçá-lo junto à sua comunidade, antes de a campanha eleitoral começar

Você deve então dar visibilidade ao nome, com o objetivo de acostumar as pessoas com ele, e, retirando a surpresa, torná-lo mais aceitável e mais familiar.

  • Não perca tempo demais com este problema

Quanto mais tempo dedicar para contornar o problema do nome, menos tempo você terá para fazer coisas mais importantes da sua campanha. Nas suas peças publicitárias dedique um breve espaço inicial para reforçar o nome e outro um pouco menos breve ao final.

O tempo/espaço entre ambos dentro do comercial – que será o maior – use-o para sua mensagem. Se você fizer um comercial de 30″, gaste 3″ no início e uns 5″ ao final para fixação e reforço do nome, restando-lhe ainda 22″ para comunicar a sua mensagem.

  • Use a criatividade para vincular seu nome à sua mensagem, e principalmente à sua imagem

O referido Zschau era um candidato da região do Vale do Silicone na Califórnia e sua imagem estava identificada com a modernidade, ciência, tecnologia. Seus publicitários produziram um logo com seu nome que tinha a forma de um raio.

Conforme a mídia, o raio se transformava no nome Zschau, acompanhado por uma trilha sonora “High Tech”(TV); ou o nome era impresso sob a forma de um raio, com um texto onde se insistia na sua imagem de modernidade e tecnologia(impressos).

Em ambas as formas, a imagem de modernidade era reiterada e reforçada, fazendo com que o nome – não convencional – se tornasse um quase sinônimo dos valores modernos com os quais a imagem estava identificada.

  • Se você for mais conhecido pelo apelido

Nos casos em que o político é mais conhecido pelo seu apelido, muitos recorrem ao expediente de incorporá-lo – até de maneira legal – no próprio nome. É uma forma aceitável porque o indivíduo não abandona seu nome, não despreza pois o nome que recebeu de sua família, e, ao mesmo tempo, não abandona também o apelido pelo qual é mais conhecido.

O presidente Lula, como muitos outros, agiu assim. Ele incorporou ao seu nome o apelido de Lula e passou a ser referido como Luis Inácio Lula da Silva, o Lula.

O mesmo vale para um hipotético Pedro Zwerbzky, cujo apelido é Pedro do Açougue. É preferível para ele concorrer com o apelido do que com seu sobrenome de quase impossível pronúncia, e também desconhecido da maioria dos seus conhecidos.

Por Francisco Ferraz

Fonte: Política para Políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; autor do Blog do Sandro Gianelli; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 12h às 14h, na Rádio OK FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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