Status político determina gastos

Quinze milhões de reais. Esse é o valor que um candidato a deputado, federal ou estadual, é capaz de gastar para garantir sua eleição, segundo o professor de marketing político, Rubens Figueiredo, de 56 anos, que já assessorou mais de 80 campanhas em 25 anos de atuação. Segundo ele, a quantidade de dinheiro necessária para fazer um nome e conquistar uma cadeira é diretamente proporcional ao status do político que quanto mais conhecido for, menos gastará.

“Aí mesmo, no Alto Tietê, temos exemplos disso. Há deputados eleitos que nunca tinham participado do cenário político, mas que têm dinheiro para gastar e fazer seu nome e, assim, se elegeram. É certo que, em média, o custo mínimo de uma campanha é de R$ 2 milhões, mas esse recurso funciona para aqueles que têm uma carreira política ou cuja identidade é conhecida do público. Tem aqueles que gastam muito menos que isso, mas são exceções. É gente que tem uma bandeira forte, como a proteção aos animais ou a violência, ou então é muito conhecida, como foi o caso do Tiririca que fez uma campanha sem muitos recursos, mas que tinha tempo de tevê e um grande impacto junto ao público. São poucos os que podem gastar menos. No geral, não se faz uma campanha por menos de R$ 2 milhões e esses R$ 15 milhões que citei é, sim, garantia de sucesso”, explicou Figueiredo.

O profissional detalhou como funciona uma campanha política e quais são as prioridades dos gastos nesse processo. Basicamente, ela é dividida em duas partes: a estrutural e a de marketing. Dentro da parte estrutural estão gastos com combustível, alimentação, deslocamentos, viagens e com pessoal que, de acordo com Figueiredo, é onde se investe mais. Só para se ter uma ideia, o mínimo de cabos eleitorais – pessoas que, geralmente na época de campanha, a mando dos chefes ou líderes partidários, devem conseguir mais integrantes para se filiarem ao partido político ou garantir mais eleitores para votarem nos candidatos da legenda – necessários para uma boa campanha é de 100 integrantes. Cada um deles, ao menos em Mogi das Cruzes, recebe, no período eleitoral, uma média de R$ 2 mil por mês trabalhado. Normalmente, segundo Figueiredo, atuam por dois meses. Só aí, o político precisa gastar R$ 400 mil. No entanto, algumas prestações finais de contas de eleitos da Região, em 2010, sequer chegam próximas a esse número, ou seja, alguns candidatos disseram ter gasto na campanha toda o que, pela experiência que tem, o professor garante custar apenas para os cabos eleitorais.

Já a confecção de materiais publicitários tem peso variável, porque implica na divisão dos recursos entre as várias mídias, como televisão, rádio e panfletagem.

Quando o candidato já ocupa um cargo público, essa questão de cabos eleitorais pode ser um pouco diferente, especialmente quando se trata do Poder Executivo porque, de acordo com o professor, os cargos em comissão, ofertados pelo político a um grupo escolhido por ele ou por aliados, funcionam como moeda de troca. Então, em uma tentativa de reeleição, esses funcionários comissionados se tornam cabos eleitorais naturais, que não entram na conta da campanha, mas que fazem a diferença.

“Esses gastos de campanha variam muito, dependendo do candidato. Um ex-prefeito, por exemplo, que ficou muito conhecido e que foi bem quisto pela população durante seu mandato tem muito mais facilidade de se eleger deputado seja estadual ou federal porque, na cidade dele, ele concentrará mais número de votos e, em alguns casos, como o caso de Mogi que possui mais de 200 mil eleitores, isso funciona. Não funciona para os municípios pequenos. Agora, imagina alguém que terá de fazer dobradinhas em 20 municípios diferentes. Gasta muito mais”, avaliou.

A visão de um publicitário mogiano ouvido pela reportagem, que preferiu manter anonimato por ter relações com um partido político específico, é diferente da de Figueiredo. Para ele, o dinheiro em uma campanha é menos importante do que os relacionamentos construídos ao longo da vida política.

O profissional acredita, inclusive, que esses valores milionários não são gastos no processo eleitoral. “Recursos financeiros são importantes sim, mas acho que nada substitui os relacionamentos. Quando um candidato tem bons contatos e apoios, ele faz a campanha em diversas cidades sem que isso tenha um custo para ele. Ele conquista cabos eleitorais voluntários, ou seja, pega aquele vereador que é bem influente junto à comunidade e, em troca de apoio nas próximas eleições, pede suporte para ele durante a campanha. É assim que funciona”, opinou.

(Sabrina Pacca)

Fonte: O Diário de Mogi

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