Como o marketing político decide as eleições

Especialistas defendem que as campanhas eleitorais estão condicionadas às estratégias de marketing político e consideram como ferramenta importante no processo eleitoral.

A política tradicional, dos grandes oradores e discursos, já não apresenta a mesma roupagem na política dominada pelas estratégicas do marketing. Das falas longas aos discursos limitados do meio digital. Hoje, a política não se limita apenas ao face a face, mas se estende para o universo on-line, ambiente onde as informações são constantes, efêmeras e passíveis de críticas.

Tal mecanismo – o marketing político – tenta trazer consigo ferramentas capazes de delinear os caminhos dos candidatos construindo bases no processo eleitoral. Em contrapartida, políticos tradicionais apostam na ideologia partidária. As eleições, no formato estratégico, hoje, pretendem atingir o público internauta, para além do contato pessoal.

Em ano eleitoral, além do candidato em si, é pensado toda uma estrutura que envolve as campanhas eleitorais e o marketing e os profissionais da área elaboram planos de comunicação e estratégias com o intuito de alcançar os objetivos das eleições. Dentro deste ambiente, o marketing político pode ser uma estratégia essencial para o político.

Dentro do segmento, o publicitário e especialista em marketing político pela USP Djan Hennemann releva que, para os candidatos, a relevância do planejamento de marketing político é uma estratégia eleitoral. Para o especialista, é importante considerar o trabalho em equipe da campanha que está inserido no processo do marketing político.

Em palestra proferida na Acieg (Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás) sobre marketing político, Djan mencionou com ênfase a parte do planejamento como o ideal para o sucesso em uma campanha política. “Planejamento é o diferencial. Otimizar tempo e recurso”. Contudo, o especialista citou o exemplo do ex-presidente Lula como um dos casos mais importantes de transformação política e de planejamento em que construiu uma história de militância política e alcançou vitória.

Ao afirmar que política não é sorte, o especialista em marketing político pontuou que o planejamento está além das estratégias, mas consiste em visualizar e projetar cenários. Entretanto, Djan ressaltou que o candidato também precisa de informação e conhecer quem é o eleitor.

Conforme explicou o especialista, o político, principalmente o que está decidido pela candidatura, não tem segunda chance de causar a primeira impressão e a imagem lhe projeta tanto para aspectos positivos quanto negativos. Desta forma, o especialista concluiu que parte do marketing político se deve à organização de uma agenda política e rede de relacionamento e ainda acrescentou que o eleitor quer conteúdo, não havendo espaço para o antigo político.

Cada político, uma estratégia

Leopoldo Veiga Jardim, consultor político, traduz uma vertente on-line como parte integrante do processo eleitoral, cujo alcance de público não pode ser ignorada. Engajamento, envolvimento e relacionamento são pilares, citados pelo consultor político, que fomentam a estratégia política. “Para cada político, uma estratégia, esse é o charme do marketing político”. Leopoldo pontuou que o público é segmentado e, portanto, um trabalho que não tem o intuito de gerar volume, mas para consolidar a imagem para públicos específicos.

Com as várias ferramentas digitais, Leopoldo citou que recurso financeiro, recurso humano e criatividade são essenciais para otimizar uma campanha eleitoral. Conforme explicou o consultor político, não é apenas uma pessoa se candidatando, mas um projeto com demandas diárias. Ao relembrar o cuidado com a imagem do candidato, Leopoldo disse que o discurso de que o eleitor tem memória curta não pode ser considerado, pois há várias formas de o eleitor copilar informações dos políticos.

O consultor político também salienta que o político precisa se comportar como se estivesse em uma conversa informal com o seu eleitor, estabelecer o engajamento e firmar posicionamento. Leopoldo defende que no meio on-line é importante que o candidato fale em primeira pessoa para criar um laço direto com esse público, potencial eleitor.

Por considerar apenas ferramentas, o consultor político considera que o resultado consiste na estratégia utilizada para que haja sucesso nos perfis políticos. De tal forma que o consultor político salienta que o segredo está em gerar vínculos, relacionamentos e para isso um plano estratégico deve ser elaborado. Leopoldo Veiga Jardim explica que várias campanhas majoritárias utilizaram estratégias em suas mídias sociais, no entanto, para obter resultado é fundamental que as pessoas sejam capacitadas e treinadas para criar uma grande rede de relacionamento e de confiança.

Mídias sociais

Mídias sociais como Facebook, Twitter, Linkedin, Youtube, Slideshare são ferramentas que, segundo o consultor político, com a utilização estratégica podem gerar resultados mensuráveis por meio de inúmeras outras ferramentas que apresentam métricas e gráficos, que, quando bem interpretados, podem ampliar o nível de influência, persuasão, popularidade e, consequentemente, gerar empatia.

Especialista em marketing digital e com experiência em campanhas políticas, a exemplo da campanha de Paulo Garcia (PT) nas últimas eleições, André de Moraes afirma que o marketing não é garantia de vitória numa campanha política, mas a falta dele pode significar a derrota. “Existem inúmeros casos de excelentes campanhas (do ponto de vista do marketing) que não tiveram êxito: vitória”.

No entanto, o especialista também pontua que são incontáveis os casos de excelentes candidatos que perderam por não investirem em comunicação.

André de Moraes, referente ao marketing político digital, diz que as orientações aos políticos são as que garantam o melhor aproveitamento possível no ambiente virtual. “As dicas vão desde melhores horários para publicar conteúdos até leitura de resultados de monitoramento. Também existe o fato de o uso da internet ser relativamente recente em campanhas eleitorais, então é fundamental que existam conversas específicas sobre a dinâmica do ambiente virtual”.

Para o especialista em marketing digital, o político/candidato não tem obrigação de entender profundamente a internet, mas é essencial que exista um profissional que auxilie nesse sentido. Questionado sobre em que aspecto o marketing pode dar errado, André de Moraes exemplifica com formatação e leituras errôneas de pesquisas, identidade visual e conceitos que não expressem verdadeiramente a essência do candidato, falta de sincronia e unidade entre ações políticas e comunicação, etc.

“Atualmente, com a internet muito importante, existe também a possibilidade de “viralizações negativas” de uma ou outra mensagem ou conteúdo produzido pela campanha”. Quanto à vitória de um candidato por meio exclusivo do marketing, o especialista diz que não pode afirmar que é impossível eleger um candidato sem marketing, mas é muito pouco provável. “Muito mesmo! O marketing eleitoral é um conjunto de técnicas e estratégias que envolvem pesquisa, planejamento e comunicação com o objetivo de fazer o eleitor entender e se identificar com as propostas e projetos de um candidato. Sem marketing, é muito difícil o entendimento e a identificação acontecerem”.

Por Danyla Martins

Fonte: Diário da Manhã

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; autor do Blog do Sandro Gianelli; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 12h às 14h, na Rádio OK FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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