PMDB do DF cobra o racha com PT

Os dois votos do diretório regional devem ser pelo rompimento com a administração de Dilma Rousseff.

O diretório regional do PMDB no DF é a favor do rompimento do partido com o governo da presidente Dilma Rousseff. O presidente da sigla na capital, ex-vice-governador Tadeu Filippelli, confirma: “O posicionamento do diretório do DF é acompanhar a orientação majoritária do partido, que é o desembarque do governo”.

O diretório nacional do partido se reúne hoje para definir se entrega os cargos e chancelar o fim do apoio ao governo petista. “Esta é a posição que prevalece”, confirma Filippelli, lembrando que dificilmente o cenário mudará até a tarde de hoje, mesmo com o forte lobby de peemedebistas favoráveis à aliança e até da presidente Dilma Rousseff. “O quadro está bem consolidado”, destaca.

“Tivemos uma bela relação com o PT e honramos a parceria ao longo dos quatro anos e da eleição. Neste momento, este fato não pode ser pesado”, afirma o ex-vice-governador,  citando o relacionamento mantida com o partido no próprio Distrito Federal. “Agora, o momento político é realmente outro e esta é a decisão majoritária do partido”, pondera.

Influência das ruas

Além de Filippelli, tem voto no diretório nacional o deputado distrital Wellington Luiz (PMDB), que não antecipa como votará, mas dá claras dicas: “Há um clamor público e notório  e isso vai acabar nos influenciando”.

A tendência de rompimento ele não nega. Mas diz preferir adotar a cautela, já que, segundo ele,  em se tratando de política, é preciso se preparar para possíveis mudanças, até a hora da reunião. “É prematuro antecipar qualquer coisa. O momento é muito delicado e qualquer anúncio de decisão de forma açodada pode trazer prejuízo para a própria decisão”, despista.

A política, pondera Wellington, é movida por tempestades. “E vêm muitas chuvas e trovoadas por aí”, brinca, alertando que, ainda assim, o “rompimento é quase irreversível”.

A maioria dos votantes, na opinião do parlamentar, já tem opinião formada acerca do voto que será dado logo mais. “Dificilmente alguém vai me convencer do contrário”, sustenta, lembrando que é papel do PT tentar, até o último minuto, defender os posicionamentos do governo e tentar, de alguma forma, convencer os peemedebistas de permanecerem na base de apoio.

Momento ideal de se descolar do governo

Pessoalmente, o deputado distrital Rafael Prudente (PMDB) vê o atual momento como favorável para abandonar o barco. A oportunidade de sair de “um governo saturado” é esta, sustenta  o parlamentar. “As coisas não aconteceram. Já são 13 anos no poder. A população  quer mudança. Esta é a hora”.

A crise política, na opinião de Prudente, desgastou a relação. “Acho que não temos mais condições de levar o País da forma que está sendo levada. Há dois anos, só se fala sobre Operação Lava-Jato, impeachment…”, afirma, citando que as manifestações mostram que cada vez que o povo vai às ruas a revolta é maior. “E é desde a classe mais baixa a té a classe mais alta. É quase uma situação unânime”, observa Prudente.

Com a justificativa de que as ruas já mostraram o que o povo brasileiro quer, Prudente defende uma “virada de página”. “Eu acho que a hora é de se recompor politicamente, para que o País enfrente aqueles assuntos mais delicados, como a reforma previdenciária”, analisa.

Decisão

A saída do PMDB da base aliada foi discutida na convenção nacional do partido, realizada no dia 12 de março em Brasília. Na ocasião,  os filiados foram proibidos de assumir novos cargos no governo Dilma.

Também no  encontro  que reconduziu o vice-presidente Michel Temer ao comando da legenda, ficou definido  que a sigla reuniria o diretório nacional, em um prazo máximo de um mês, para decidir sobre o rompimento oficial.

Na ocasião, Temer discursou, dizendo que  “não é hora de dividir os brasileiros, de acirrar ânimos e levantar muros”.

Saiba mais

O diretório nacional do PMDB é formado por 127 membros. Apenas dois são do Distrito Federal.

A ideia que prevalece no partido é de que a votação de logo mais seja apenas simbólica, por aclamação. O governo, no entanto, ainda tenta esvaziar o encontro.

A reunião ocorre hoje, às 15h, no Plenário 2 das Comissões, na Câmara dos Deputados.

 Fonte: Jornal de Brasília

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