Rollemberg vê ‘melhoria’ nas finanças do DF e reconhece crise na saúde

DF tem falta de remédios e leitos de UTI, além de baixo efetivo na área. Declaração foi dada durante reabertura de ala do Hospital de Apoio.

O governador Rodrigo Rollemberg afirmou nesta quarta-feira (30) considerar que a situação do Distrito Federal passou de “grave” para “intermediária” desde que ele assumiu o mandato, no início de 2015. No discurso, ele comentava sobre saúde pública. A rede ainda tem falta de medicamentos, leitos de UTI fechados por falta de profissionais e dívidas com fornecedores de insumos hospitalares e prestadores de serviço.

Após a publicação da reportagem, o Executivo disse que na verdade o governador queria se referir a melhorias na situação financeira do DF. Além disso, afirmou que Rollemberg acredita ter promovido avanços na saúde pública, mas ainda considera o quadro “gravíssimo”.

“Nós assumimos essa gestão com a saúde do Distrito Federal na pior posição do país. Hoje, acredito que já estamos em uma situação intermediária. Fiquei especialmente sensibilizado ao ver a empolgação desses profissionais, sobretudo em um momento em que a rede de saúde enfrenta dificuldades grandes, estruturais, que estamos tentando enfrentar”, disse Rollemberg.

A declaração foi dada durante a reabertura de uma ala com 12 leitos para cuidados paliativos do Hospital de Apoio, que estava fechada para reforma. A data marcou o aniversário de 22 anos da unidade.

O secretário de Saúde, Humberto Fonseca, afirmou que a ala reformada dará mais conforto aos pacientes de cuidados paliativos, que sofrem com alguma doença degenerativa ou câncer em estágio avançado, sem possibilidade de cura. “Eles precisam de muita assistência. 90% deles têm dor, mais de 90% têm fadiga, grande parte tem falta de ar. Muitas vezes, o sistema público abandona e mais do que nunca, esse paciente precisa de apoio”, afirmou.

Além da atenção aos pacientes terminais, o Hospital de Apoio tem um centro de genética responsável por toda a triagem neonatal do DF e uma ala para pacientes com doenças raras. A unidade é pioneira na residência médica de cuidados paliativos, mas ainda não é certificada como “hospital de ensino” e, por isso, não recebe verbas do Ministério da Educação.

“Há uma perspectiva de certificação desse hospital como centro de doenças raras. É preciso obter linhas de pesquisa, de financiamento de pesquisas na área de genética. É preciso credenciar o hospital como hospital de ensino, fazer todos os credenciamentos necessários para receber os recursos dos ministérios. A gestão tem sido inovadora, empolgada”, completou o secretário.

Na primeira visita à unidade desde que foi eleito, há 15 meses, Rollemberg elogiou o trabalho dos profissionais e minimizou os problemas da rede com abastecimento de insumos, limpeza e número de servidores.

“Este é um esforço do dia a dia, de melhorar a qualidade da rede pública. Se você andar por esse hospital vai perceber que são instalações simples, mas adequadamente limpas e com recursos tecnológicos, que garantem o conjunto de exames que nem na rede privada são feitos”, disse o governador.

 Nepotismo

O governador também comentou as denúncias de nepotismo investigadas pela Controladoria-Geral do DF. Segundo ele, há casos identificados no levantamento que não são irregulares e por isso não serão alvos de exoneração. Rollemberg disse ter eliminado 66 casos de nepotismo desde o início do mandato.

“Naqueles casos em que não há qualquer dúvida vamos demitir. Em relação a outros casos, pelo último entendimento do STF, não configuram nepotismo. Por exemplo, uma pessoa que você convida para exercer um alto cargo e tem um parente como servidor efetivo há 10, 15 anos em um cargo menor não condigura nepotismo.

Um relatório com 377 possíveis casos foi elaborado pela Controladoria-Geral em 2015 e entregue à Casa Civil. O jornal “O Globo” confirmou 75 destes. Segundo o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, metade desse número não configura nepotismo e os outros casos estão sendo apurados.

Impeachment
Rollemberg disse que não pretende assumir posição em relação ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, em tramitação no Congresso Nacional. Segundo ele, a manifestação do Palácio do Buriti poderia “acirrar os ânimos de um ou outro grupo”.

“Como governador de Brasília, entendo que a posição mais adequada para mim é não tornar pública uma posição sobre impeachment. Meu papel como governador é garantir tranquilidade, que as manifestações pró ou contra impeachment possam transcorrer, e garantir a integridade das pessoas e do patrimônio público”, disse.

Questionado pelo G1, o governador não respondeu se a relação do GDF com o Planalto sofre impactos a cada manifestação pública dos dirigentes do PSB, partido de Rollemberg. Nesta terça, dirigentes do partido deram entrevista a veículos internacionais e manifestaram o desejo de que a presidente deixe o cargo.

Fonte: G1

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