Segurança libera bonecos infláveis em manifestações na Esplanada

Representantes do GDF e de grupos contra e a favor do impeachment se reuniram e revisaram algumas normas.

Às vésperas da votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o clima tenso dos palácios e gabinetes de Brasília ainda não atingiu avenidas e gramados da Esplanada dos Ministérios. A previsão, no entanto, é de um grande público em frente ao Congresso Nacional no fim de semana, quando o plenário da Câmara analisa o pedido de afastamento.

Para evitar confrontos, representantes da segurança pública e dos grupos se reuniram para revisar normas a serem adotadas durante manifestações na Esplanada dos Ministérios. O uso de bonecos infláveis foi liberado e os grupos pedem, ainda, o aumento no número de carros de som.

Com a proibição de acampamentos na Esplanada, os grupos a favor do governo saíram na frente, e montaram barracas perto de uma área no Mané Garrincha. Até terça-feira (12/4) reunia duas mil pessoas. Os grupos contrários à presidente tinham apenas 25 pessoas no seu acampamento, montado no Parque da Cidade.

Hotéis
Gerências de quatro hotéis de luxo e quatro de categoria simples ouvidas pela reportagem disseram que a taxa de ocupação ao longo desta semana está em torno de 40%, porcentual considerado normal para este período. Os empresários esperam atingir o dobro no sábado (16) e no domingo (17). Num grande hotel próximo às residências oficiais do Jaburu e do Alvorada, a estimativa de ocupação, no entanto, é de 46,8% – índice que leva em conta reservas efetuadas até a tarde de segunda-feira.

Movimentos de rua contra e a favor do impeachment dizem que ocuparão totalmente os espaços que lhes foram reservados pela Secretaria de Segurança Pública no gramado da Esplanada e na frente do Congresso. Um muro de placas de aço foi instalado para dividir, entre os dois grupos, a tradicional área de manifestações populares.

O Movimento Sem Terra (MST) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) coordenam a manifestação pró-Dilma. A expectativa é que o acampamento do Mané Garrincha se multiplique por 20 na próxima sexta (15), com a chegada do economista João Pedro Stédile, líder do MST. “O fantasma do golpe voltou com Michel Temer e Eduardo Cunha, vamos derrotá-los e evitar que eles passem por cima dos sonhos dos brasileiros”, disse Alexandre Conceição, da executiva do MST, em assembleia preparatória realizada na tarde desta terça.

O MST espera trazer dez mil pessoas especialmente do Nordeste. Ismael César, da executiva da CUT, estima a chegada de 50 mil representantes de sindicatos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.

Muro
O grupo a favor da presidente aceitou a decisão do governo do Distrito Federal de instalar o muro de placas de aço. “Esse muro representa de fato a divisão da sociedade. O muro apenas se materializou”, disse Rafaela Alves, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). “Nós defendemos apenas um projeto em que os trabalhadores do campo possam viver bem, com direitos básicos.”

O reforço ao grupo contra Dilma é prometido por entidades setoriais. É o caso da Confederação Nacional da Agricultura, que espera trazer 20 mil agricultores. A grande presença de público na manifestação do dia 13 de março pelo impeachment anima o grupo.

Na manhã de terça, representantes dos movimentos Limpa Brasil, Resistência Popular e Vem Pra Rua fizeram um ato em frente ao Congresso para criticar a instalação do muro e a proibição de bonecos infláveis e de carros de som de grande porte.

Eles chegaram a dizer para o comandante da PM que a Esplanada deveria ser ocupada apenas por quem defende o impeachment – alegam, por exemplo, que protocolaram primeiro o pedido para protestar no local. “Esse muro é uma vergonha. O Brasil não está dividido, somos 93%” disse Beatriz Kicis, do Resistência Popular, sem apontar a fonte de sua estimativa.

 Reunião

Os líderes dos movimentos foram recebidos na sede da Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social, nessa terça,  pela chefe da pasta, Márcia de Alencar; pelos subsecretários de Integração e Operações de Segurança Pública, tenente-coronel Vasconcelos, e de Inteligência, Elmiz Antônio Rocha Júnior; e pelo chefe do Departamento Operacional da Polícia Militar, coronel Alexandre Sérgio.

Participaram da reunião: Central da Classe Trabalhadora, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Central Única dos Trabalhadores, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Limpa Brasil, Movimento Brasil Livre, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Marcha Mundial das Mulheres, Partido dos Trabalhadores do Distrito Federal, Resistência Popular, Revoltados Online, Vem Pra Rua e União Nacional dos Estudantes.

Carros de som
Após a reunião com a Segurança Pública, representantes de movimentos a favor do impeachment da presidente Dilma foram recebidos pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB). O grupo pediu que o governo local autorize a utilização de mais carros de som e a liberação do gramado em frente ao Congresso Nacional.

O chefe do Executivo local explicou que a área mais próxima ao Parlamento ficará isolada por questão de segurança, visto ser um local estreito e cercado por duas grandes elevações. “Em caso de conflito, pode haver pessoas pisoteadas por causa dos taludes laterais”, disse. A questão dos carros de som será analisada pela Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social.

Pelo menos dois carros de som para cada lado das vias da Esplanada já estão autorizados: um no Museu da República e outro, no estacionamento do Teatro Nacional; um na Via S1, na altura da Alameda das Bandeiras, e outro, na Via N1, na altura da Alameda das Bandeiras.

Confira as regras já definidas:

  • A Esplanada dos Ministérios será compartilhada entre os grupos a favor e contra o impeachment, mas haverá isolamento feito por alambrados e linhas de policiamento para que os dois grupos não se misturem.
  • O grupo pró-impeachment ficará à direita do Congresso Nacional e terá como ponto de concentração o Museu da República. O grupo contrário ao impeachment ficará à esquerda do Congresso Nacional e terá como ponto de concentração o Teatro Nacional.
  • Haverá um corredor de 80 metros de largura e um quilômetro de extensão, separando as áreas delimitadas para os dois grupos. Ao longo desse corredor, será permitido o trânsito apenas das equipes de segurança pública.
  • A área permitida para manifestações só vai até a Alameda dos Estados. A área que compreende a Praça dos Três Poderes, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, o Palácio do Planalto, o Itamaraty e o Ministério da Justiça é considerada de segurança nacional e estará isolada para uso exclusivo das equipes de segurança pública.
  • Não serão permitidos acampamentos na área da Esplanada dos Ministérios ou nas adjacências.
  • A partir da Rodoviária do Plano Piloto, os policiais militares farão orientações para que os manifestantes sigam as áreas delimitadas de acordo com seus posicionamentos políticos.
  • Os manifestantes que forem ao local de carro devem optar por estacionamentos nos anexos dos ministérios, seguindo a lógica de manifestantes pró-impeachment no lado sul e contrários, no lado norte.
  • Haverá linhas de revista tanto na área destinada ao grupo pró-impeachment, quanto na área destinada ao grupo contrário ao impeachment.
  • Nos dias 13 e 14, as medidas de separação e de interdição de trânsito serão tomadas de acordo com avaliações de cenário.
  • O trânsito será interditado em toda a área da Esplanada dos Ministérios a partir da 0 hora de sexta-feira (15), e a abertura das vias dependerá de avaliações de cenário.

Orientações para os manifestantes

  • Não será permitido portar objetos cortantes, garrafas de vidro, hastes de madeira ou fogos de artifício.
  • Não será permitido usar máscaras ou cobrir o rosto com lenços ou bandanas.
  • Não será permitido estacionamento ao longo das vias.
  • Não será permitida a venda de bebidas alcoólicas.
  • Não é recomendado que pais levem crianças, mas, caso seja a decisão dos responsáveis, é necessário que elas estejam identificadas e, em hipótese alguma, sejam submetidas a situações de risco.
  • Também não é recomendado que idosos ou pessoas com problemas cardiovasculares estejam no local de grande aglomeração.

Regras para as manifestações pactuadas pela Secretaria da Segurança Pública entre os dois grupos

  • Megafones serão recolhidos.
  • Instrumentos musicais serão permitidos para emissão de som. Se utilizados para finalidade diversa, poderão ser recolhidos.
  • Faixas e bandeiras poderão ser manualmente portadas, sem hastes, e poderão ser fixadas ao longo dos alambrados de divisão das áreas.
  • Carros de som serão permitidos em pontos específicos: um no Museu da República, um no Estacionamento do Teatro Nacional, um na Via S1 na altura da Alameda das Bandeiras e um na Via N1 na altura da Alameda das Bandeiras.
  • Carros de som parados na Alameda das Bandeiras serão controlados pela Polícia Militar e pela Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social para informes oficiais periódicos, informes parciais e orientações. Interlocutores dos grupos serão cadastrados pelo governo de Brasília e poderão subir nesses carros de som apenas para dar orientações, palavras de ordem e de comando aos manifestantes. Serão cadastrados como interlocutores quatro representantes de cada grupo, em um total de oito pessoas. (Com informações da Agência Estado e da Agência Brasília).

Fonte: Metrópoles

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