Enquanto secretário-geral da CLDF não volta, Celina Leão assume

Três assessores da presidente da Câmara Legislativa são cotados para assumir a Secretaria-Geral.

No “day after” da prisão do secretário-geral da Câmara Legislativa, Valério Neves, mais silêncio. Nos corredores, apenas comentários de quem vai substituí-lo, agora que ele vai ficar pelo menos cinco dias preso em Curitiba. Três nomes de assessores da presidente da Casa, Celina Leão (PPS), são apontados como prováveis ocupantes do cargo de honra da Casa: José Ricardo Grossi, Jael Almeida de Carvalho e Sandro de Morais Vieira.

Por meio da assessoria, Celina disse que ela poderá acumular o cargo de presidente da Câmara e ordenadora de despesas, função que era de Neves. A expectativa é de que até segunda-feira seja nomeado um secretário-geral provisório. A volta de Neves não estaria descartada, já que a exoneração foi a pedido dele, logo após ser preso.

Valério Neves e Paulo Roxo, ambos presos provisoriamente na 28ª fase da Operação Lava Jato, são apontados como operadores de propina de uma esquema de que participava ex-senador Gim Argello (PTB), também preso e encaminhado para Curitiba, por tempo indeterminado. Os dois atuariam junto às  empreiteiras UTC e OAS  que pagariam para não ter que depor na CPI da Petrobras, instalada em 2014, no Congresso Nacional – Gim era vice-presidente do colegiado e os valores, segundo a Polícia Federal, teriam sido encaminhados para a coligação dele na eleição de 2014 e até para a Paróquia São Pedro, de Taguatinga.

Na Câmara Legislativa, poucos são os comentários sobre a motivação da prisão de Neves. Os deputados recomendam cautela para tratar do assunto. O distrital Ricardo Vale disse que esperava explicação de Celina no Plenário da Casa. “De repente, ela também nem sabe”, arriscou.

Questão resolvida

Rodrigo Delmasso (PTN) observa que o assunto tem sido tratado com cuidado na Casa, porque é assunto resolvido.

“No ato da prisão, ele pediu exoneração. E os fatos ocorreram de julho a outubro de 2014, anteriores à presença dele na Casa”, pondera o deputado.

Discursos discretos

Celina Leão pouco falou sobre a prisão de Valério Neves, nomeado por ela para o cargo de secretário-geral da Câmara Legislativa. Divulgou nota em que informou sobre a exoneração e fez um discurso generalizado no plenário, em que disse apoiar a Operação Lava Jato.

Aos deputados, na reunião do colégio de líderes, ela contou que foi o próprio Valério Neves que pediu exoneração do cargo, assim que foi preso, na manhã de terça-feira. No Buriti, a notícia da prisão foi recebida com euforia, uma vez que, na visão dos palacianos, o incidente prejudica a reeleição de Celina.

Deputados simpáticos à emenda, no entanto, acreditam que uma coisa nada tem a ver com a outra.

Para deputado, TCDF tem de investigar gestão

O oposicionista Chico Vigilante  (PT) defende que o Tribunal de Contas do DF investigue a gestão de Valério Neves na Casa. “A Operação Lava Jato Chegou à Câmara Legislativa do Distrito Federal”, observa, ao afirmar que a situação que é “da mais alta gravidade”.

“Ele era o secretário-geral, o ordenador de despesas aqui dentro”, explica, ao sugerir que a Corte  de Contas verifique, principalmente, os contratos de publicidade firmados nos últimos meses.

Vigilante defende que o cargo deveria ser ocupado por funcionário concursado, de carreira: “Cada presidente que ganha nomeia uma pessoa de confiança e isso é errado. Sempre falei isso”.

Silêncio

O silêncio na Câmara Legislativa  é sintomático. Alguns distritais são apontados como beneficiários do esquema de distribuição de propinas, em forma de doações a campanhas eleitorais. Sobre o assunto, o deputado Reginaldo Veras (PDT) fez um bom resumo:  “A Lava Jato chegou a Brasília e a ‘República Candanga’ está com os pilares ameaçados.”

Delação premiada em jogo

A expectativa é de que, diante da possibilidade de ficar preso por tempo longo, o ex-senador Gim Argello assine um acordo de  delação premiada. O advogado dele, Marcelo Bessa, está em Curitiba, onde o cliente está preso, e não foi encontrado para comentar a possibilidade de delação.

Nos bastidores, o medo é generalizado. Gim é político experiente, com bom trânsito no Palácio do Planalto, e profundo conhecedor dos meandros da política no País e, em especial, no  Distrito Federal.

A Paróquia São Pedro, comandada pelo padre Moacir Anastácio se prepara para provar como foram gastos o dinheiro das fartas doações de empreiteiras – além dos R$ 350 mil da OAS, a igreja disse que recebeu R$ 300 mil da Andrade Gutierrez, intermediados pelo ex-governador Agnelo Queiroz. Os valores teriam sido gastos, conforme nota assinada pelo pároco, nas festividades de Pentecostes, evento católico que reúne milhões de pessoas todos os anos.

Políticos são frequentemente vistos nas missas do Padre Moacir e, principalmente, nestas celebrações anuais, quando os fiéis são mais numerosos.

 Fonte: Jornal de Brasília

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