A pedido do GDF, PM adia retirada de estudantes de posto do DFTrans

Grupo ocupa espaço desde 28 de abril em ato contra falhas no Passe Livre. Tribunal de Justiça determinou que haja reintegração de posse há dois dias.

A pedido do governo do Distrito Federal, policiais militares adiaram a retirada de estudantes que ocupam o posto do DFTrans na rodoviária do Plano Piloto desde 28 de abril  em protesto contra falhas no Passe Livre Estudantil. A operação estava prevista para a manhã desta quarta-feira (4). O pedido, de acordo com a Polícia Militar, foi feito pelo secretário de Mobilidade, Marcos Dantas.

É muito dinheiro gasto e eu sou estudante de baixa renda. Participo da assistência estudantil da UnB, moro na Casa do Estudante [Universitário, a CEU], então eu não tenho dinheiro. Toda a minha locomoção diária para ir para a faculdade e para ir para o estágio está sendo prejudicada por causa desse problema do DFTrans. Eu sou do Ceará, vim para Brasília para estudar e estou tendo que juntar o dinheiro da bolsa do estágio e da que a UnB me dá para pagar a passagem”
Priscila Fonseca,
estudante da UnB

Os estudantes alegam haver beneficiários com cartão bloqueado e pessoas recebendo menos tíquetes que o necessário para frequentar aulas e estágios. A ação ocorreria dois dias depois de o Tribunal de Justiça determinar a reintegração de posse.

O secretário de Mobilidade, Marcos Dantas, esteve no local e conversou com representantes do movimento e se disse disposto a recebê-los em uma reunião na manhã desta quinta. Ele afirma que a maioria das reivindicações já foi atendida. Um levantamento do DFTrans apontou que 65 mil cadastros do Passe Livre ainda não tinham sido analisados por problemas no sistema eletrônico.

“Não faz mais sentido manter essa ocupação, porque o canal está aberto, com a comissão permanente de negociação para resolver os problemas, que não são tantos como eles querem atribuir”, declarou Dantas.

Entre as exigências dos estudantes também estão a possibilidade de recadastramento ao longo do ano todo e a concessão do benefício para estudantes que ainda não têm o cartão ou estão com problemas no benefício. O grupo diz que as negociações com o GDF são falhas e afirmam que faziam uma ocupação pacífica.

Aluna de serviço social da Universidade de Brasília, Priscila Fonseca diz que desde março aguarda resposta sobre o cadastro no programa. “Eles me informam que está em processo. Eu pedi o aumento dos acessos, naturalmente a gente tem quatro, mas pode pedir até seis e até hoje eles me negam. Eu moro na Asa Norte e faço estágio no Ministério Público em Brazlândia e estou tendo que pagar do meu bolso R$ 12 todo dia.”

“É muito dinheiro gasto e eu sou estudante de baixa renda. Participo da assistência estudantil da UnB, moro na Casa do Estudante [Universitário, a CEU], então eu não tenho dinheiro. Toda a minha locomoção diária para ir para a faculdade e para ir para o estágio está sendo prejudicada por causa desse problema do DFTrans. Eu sou do Ceará, vim para Brasília para estudar e estou tendo que juntar o dinheiro da bolsa do estágio e da que a UnB me dá para pagar a passagem”, completou.

O estudante de serviço social da UnB Gabriel Neiva, de 23 anos, diz gastar R$ 15 por dia por causa dos problemas com o Passe Livre. “Estou tirando esse dinheiro da bolsa que eu ganho da UnB, que me auxilia com R$ 530 de auxílio moradia, que eu uso para alugar um quarto no Altiplano Leste, e mais R$ 430 de auxílio permanência. Eu não tenho nenhuma outra renda. Eu precisaria de quatro viagens: de casa para a rodoviária e da rodoviária para a UnB e vice-versa.”

Estudante de engenharia elétrica, Neilton Almeida, de 23 anos, disse precisar de quatro passagens. Ele estuda em Taguatinga e moao em Ceilândia.

“Eu tenho que pegar um microônibus da minha casa até ou terminal e de lá para a faculdade. São dois para ir e dois  para voltar. O DFTrans me deu um cartão que valeu só por dois meses e agora eu preciso tirar R$ 10 por dia do meu bolso”, disse.

Mãe de cinco estudantes, Aldacina Pereira da Silva, de 44 anos, afirmou que os filhos vão a pé para a escola quando a família está sem dinheiro. “Eles têm que sair às 6h15 para chegar na escola às 7h15 no dia que eles vão caminhando. Se chegar depois de 7h30, não entra. O único dinheiro que eu tenho é o que a minha filha especial ganha do INSS. O pai dessa minha filha morreu e, quando ele era vivo quase não trabalhava fichado.”

O diretor do DF Trans Léo Carlos Cruz disse que tenta acordo com os estudantes e quer manter o diálogo. “Eu e o secretário estivemos com os estudantes hoje e temos interesse de resolver isso da melhor forma possível. Nós fizemos uma proposta e os estudantes ficaram de avaliar. Propusemos continuar essas discussões, que se iniciaram na quinta-feira da semana passada. Não dá para encaminhar soluções mais concretas em um ambiente onde você não consegue conversar adequadamente. A proposta foi: eles separarem um grupo de seis a oito e estudantes para ir lá no DFTrans amanhã [quinta-feira] para a gente construir as soluções necessárias” afirmou.

O posto teve água e luz cortados no domingo. A Polícia Militar estimou a presença de cem estudantes no local. Os jovens tocaram instrumentos de percussão e entoaram gritos como “não tem arrego, você tira o meu passe, e eu tiro o seu sossego”. Eles devem fazer uma assembleia ainda nesta quarta para decidir se mantêm a ocupação.

Mandado de segurança
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de Brasília (UnB) protocolou na segunda um mandado de segurança contra o DFTrans, órgão responsável pela gestão do transporte público do Dis. A entidade cobra agilidade na análise dos cadastros do Passe Livre Estudantil, e pede que os cartões sejam liberados imediatamente para processos que já estão atrasados.

Até a noite desta terça, o documento ainda não tinha sido analisado pela Justiça. A expectativa dos coordenadores do DCE é de que o pedido seja analisado até o fim da semana.

Fonte: G1

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