Gim Argello deixa presidência do PTB do DF e pede desfiliação do partido

Ex-senador diz que se retira para cuidar da família, saúde e defesa judicial. Ele foi preso suspeito de receber propina para blindar empresários em CPI.

O ex-senador Gim Argello renunciou ao cargo de presidente do PTB do Distrito Federal e pediu desfiliação do partido nesta quinta-feira (9). Na carta enviada à direção nacional da legenda, ele diz que se retira da vida pública para cuidar da vida particular, “da minha família, saúde e até mesmo da minha defesa judicial”.

Gim foi preso em 12 de abril na 28ª fase da Operação Lava Jato. A etapa foi criada para investigar a cobrança de propinas para evitar a convocação de empreiteiros em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) sobre a Petrobras, entre 2014 e 2015.

Ele era membro da CPI no Senado e vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista (CPMI), da Câmara e do Senado. Gim foi senador entre 2007 e 2015.

Na carta de desfiliação, o ex-senador agradeceu pela oportunidade de estar à frente da legenda e diz que sempre desempenhou o papel dele “com zelo e dedicação”.

“Diante da atual situação que o país atravessa, por diversas vezes tentaram macular meu nome, e nada conseguiram, mas dessa vez chegaram ao extremo, criando e envolvendo-me em uma situação que jamais existiu”, disse.

De acordo com a carta, não existe base jurítica e factual para a prisão dele, o que gerou “uma situação de total indignação para mim e minha família”.

Conforme os investigadores da Lava Jato, o nome de Gim Argello apareceu nas delações do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e do dono da UTC, Ricardo Pessoa.

O Ministério Público Federal (MPF) diz que há evidências de que o ex-senador pediu R$ 5 milhões em propina para a empreiteira UTC Engenharia e R$ 350 mil para a OAS. As duas empresas são investigadas na Lava Jato.

Os recursos foram enviados a partidos indicados por Gim – DEM, PR, PMN e PRTB – na forma de doações de campanha. O procurador Carlos Lima afirmou que o esquema de travestir propinas em forma de doações aparentemente legais “já existe e há muito tempo”.

Os investigadores dizem que não há indícios de que os partidos beneficiados sabiam das negociações e da origem ilícita dos recursos. As siglas, juntamente com o PTB, formaram em 2014 a coligação “União e Força”, pela qual Gim Argello era candidato a novo mandato de senador pelo DF.

Fonte: G1

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