Peemedebistas lideram o “ranking” do suborno, segundo delação de Machado

Em acordo de delação premiada fechada com a força-tarefa da Lava-Jato, o ex-presidente da Transpetro afirma que repassou R$ 109 milhões em propinas para integrantes de oito partidos. A maior fatia ficou com o PMDB.

O ex-presidente da Petrobras Transporte S/A (Transpetro) Sérgio Machado disse em depoimentos em delação premiada à Operação Lava-Jato que propinas de R$ 109 milhões beneficiaram 23 políticos de oito partidos — a maior parte fruto de recursos desviados da estatal. O PMDB, que bancou a indicação do ex-senador para o cargo de 2003 a 2015, ficou com 95% dos valores, segundo levantamento do Correio com base nas afirmações do colaborador: R$ 104 milhões.

Segundo Machado, o presidente interino, Michel Temer, obteve R$ 1,5 milhão em benefício da campanha eleitoral do ex-correligionário Gabriel Chalita para a Prefeitura de São Paulo, em 2012. Mas o dinheiro ainda abasteceu, por meio de doações de campanha ou pagamentos em espécie, políticos de PSDB, PT, DEM, PSB, PP, PCdoB e PDT. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) obteve R$ 1 milhão, de acordo com o delator, como parte de um esquema montado por ambos entre 1998 e 2000. Todos os políticos que se manifestaram negaram as acusações ontem.

Os peemedebistas lideram o “ranking” do suborno. O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL); o ex-presidente da República José Sarney (AP); e os senadores Jader Barbalho (PA), Romero Jucá (RR) e Edison Lobão (MA) receberam os maiores valores: R$ 95 milhões, somados. “É o núcleo que me colocou na Transpetro”, disse Machado ao ser ouvido pelos procuradores do caso no Rio de Janeiro, em 4 de maio. Sozinho, Lobão teve R$ 24 milhões. O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, ficou com R$ 1,55 milhão.

De acordo com o ex-presidente da Transpetro, desde 1946 o país convive com esquemas de arrecadação no governo e em estatais por meio de altos funcionários públicos indicados por políticos, que repassam a eles valores obtidos em contratos com fornecedores do Estado. O delator contou que nunca disse abertamente que se tratava de propina, mas os políticos sabiam que ele vinha de contratos oriundos da estatal. Se não fosse dirigente do órgão, os políticos nunca pediriam o dinheiro, contou. “No código do político, você nunca fala, embora eu ache que, dentro do meio político, todo mundo saiba a origem”, disse ele, em vídeo gravado pelos investigadores. “Eram pessoas políticas com os quais eu tinha interesse em ter relação e eu dispunha de uma parcela de recurso para atender a esse tipo de doação”. Depois do pedido, Machado procurava os fornecedores da Transpetro e solicitava o pagamento que seria descontado do caixa de propinas da estatal.

Fonte: Correio Braziliense

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