Câmara decide o sucessor de Cunha; Rosso e Maia são os favoritos

Na véspera da eleição para a presidência da Câmara, que deve acontecer nesta quarta-feira, o PMDB lançou candidato próprio, embolou a disputa e tornou mais agudo o racha na base aliada do governo Michel Temer. Ex-ministro da Saúde do governo Dilma Rousseff, Marcelo Castro (PMDB-PI) foi escolhido após votação interna da bancada derrotando Osmar Serraglio (PMDB-PR).

Antes um azarão, Castro passou a ameaçar os favoritos Rogério Rosso (PSD-DF) e Rodrigo Maia (DEM-RJ). O peemedebista surge com a capacidade de agregar votos do PCdoB, PDT e, sobretudo, do PT – que se viu diante do constrangimento de desistir do apoio a Maia. “Castro votou contra o golpe, contra o impeachment”, enfatizou a líder da minoria, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), numa referência ao processo contra a presidente afastada Dilma Rousseff.

No Centrão – que tem oito dos 14 candidatos oficializados –, a nova configuração da corrida eleitoral trouxe preocupação. O bloco formado por 13 partidos chegou a acreditar num cenário com dois candidatos aliados no segundo turno: Rosso e Fernando Giacobo (PR-PR).

Agora, a candidatura de Marcelo Castro já é vista como alternativa aos deputados que não queriam votar em Rosso pela ligação com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Temor no governo

A pulverização também levou o Palácio do Planalto a sair do papel de observador. O ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) reforçou a atuação com os líderes por uma candidatura única. “Não tem porque nós criarmos a possibilidade de ter qualquer arranhão na base”, afirmou.

Ninguém cedeu. O governo avalia, internamente, que a iminência de uma derrota – com Castro indo para o segundo turno – poderá fazer com que os aliados mudem de ideia.

Neste caso, o Palácio pode ser obrigado a preferir o presidenciável apoiado pelo Centrão e trabalhar pela derrota do candidato do PMDB, partido do presidente interino, Michel Temer.

Olho em 2017

A costura de acordo para o mandato tampão tem projetado as eleições da presidência da Câmara em fevereiro de 2017. Com 51 deputados, o PSDB tinha a tendência de apoiar Rodrigo Maia. O apoio, porém, se dissolveu. Os tucanos devem fechar com o candidato que oferecer anuência à candidatura de Antônio Imbassahy (PSDB-BA) no ano que vem. A decisão sairá hoje.

Principal cabo eleitoral de Rogério Rosso, o líder do PTB, Jovair Arantes (GO) é outro que tem estratégia semelhante. Nas conversas, o deputado inclui sua pré-candidatura.

Rito

A sessão está marcada para 16h. Os candidatos terão 10 minutos cada para apresentar as propostas. Em seguida, os deputados votam, nas cabines do plenário. O voto é secreto.

Para ser eleito, o concorrente deve ter metade mais um dos votos dos presentes. Caso contrário, a eleição irá para o segundo turno. O mais votado é eleito e assume o cargo imediatamente.

Fonte: metrojornal.com.br

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