Uber: depois da sanção, é hora do cadastro e da adaptação

Após meses de discussão, a novela da regulamentação do Uber e serviços similares chega aos capítulos finais. Com a sanção da Lei 777/2015, que regula a prestação de transporte individual privado de passageiros por aplicativos, os motoristas têm 90 dias para se ajustar às novas normas. A principal novidade é que não haverá limite de participantes.

De acordo como o governador Rollemberg, o projeto é praticamente “autoaplicável” e sua execução será fácil. Na solenidade de assinatura, ontem, o chefe do Executivo local estava na mesa entre parlamentares e reconheceu o papel da Câmara Legislativa no processo de finalização da lei. Mas justificou vetos, pois alguns dispositivos dificultariam ou encareceriam a vida dos usuários.

Além de não existir limitação do número de motoristas do Uber, foi definido que não será apenas o dono do veículo que poderá utilizar o carro para trabalhar pelo aplicativo. Para o governo, isso baixa o custo para o consumidor.

Fiscalização

Sobre a fiscalização, que será feita pela Secretaria de Mobilidade, ainda está sendo decidido o que será ou não cobrado, mas já se sabe que a frota precisa ter idade máxima de cinco anos e a limpeza deve estar em dia. O cadastramento vai ser uma novidade, mas a pasta garante que está se preparando para absorver a demanda.

Para o secretário de Mobilidade, Marcos Dantas, o Uber ainda não está legalizado, pois é necessário haver o cadastramento dos novos motoristas do aplicativo. Só a regulamentação vai ditar como esse processo vai ser executado.

“Agora, nós temos um marco que precisa só de uma regulamentação para que acabem as dúvidas. É uma demanda nova que vai impactar, mas estamos trabalhando. É uma quebra de paradigma. Quem vai ganhar com isso é a população”, defende o secretário.

Nem todos se satisfazem

O motorista Felipe Adans, 23, é um dos que trabalham com o Uber Black – modalidade que exige carro preto e executivo – há três meses. Ele acredita que a regulamentação vai diminuir as agressões que os motoristas do aplicativo sofrem. Felipe revela que um taxista já deu ré no carro dele depois de ter deixado uma senhora no Setor Hoteleiro Sul. Mas não fez nada porque havia muitos taxistas no local e ficou receoso de que pudesse ser agredido.

O profissional critica a postura da empresa americana de não dar auxílio ou direito aos funcionários. Para ele, que trabalha só à noite para tentar arrecadar mais, agora não compensa muito ser motorista, pois entrou muita gente e a demanda não é tão grande na capital.

“O mercado é exploratório. Deveriam estipular um valor mínimo (para os motoristas receberem) e alguma recompensa”, diz o motorista Jorge Luiz dos Santos, 35. Para ele, a sanção beneficia mais o passageiro do que o motorista.

“Não existe isonomia”, dizem taxistas

Entre os taxistas, segue a insatisfação. Diretor-geral da Radiotáxi Alvorada e da Shalom, Héverton Lúcio Rego explica que um dos grandes problemas entre o Uber e os taxistas é que, mesmo com a regulamentação, não existe isonomia. Isso porque os condutores dos táxis têm uma série de definições a seguir, mas os motoristas do aplicativo ainda não.

Ele diz que o mercado em que atua foi abalado não só pela crise, mas também pelas tarifas do aplicativo concorrente, que são mais baixas. Para o diretor das radiotáxis, não seria possível baixar ainda mais os preços. Se isso ocorresse, ele teria de deixar de lado as avarias que os veículos sofrem com o tempo. Assim, os motoristas não teriam como se sustentar.

“Na época da Copa, havia uma deficiência de táxis muito grande em Brasília. Existia uma média de 150 pessoas esperando um veículo. Era preciso aumentar a malha. Isso gerou carência no atendimento. Mas o governo não liberava as licenças”, critica.

“Sacode da concorrência”

Héverton ainda atribui o problema ao governo: “Ele tem culpa por não ter cobrado mais dos taxistas e poderia melhorar o que já existia”.

O diretor relata que a empresa está com uma série de mudanças depois de “ter levado um sacode da concorrência”. Haverá, por exemplo, um sistema de avaliação do atendimento dos taxistas, como o Uber faz. Também foi criada a possibilidade de fazer o pedido por WhatsApp, e ainda será permitida a classificação de motoristas “premium”, que prestarão um atendimento diferenciado. Tudo para se destacar no mercado.

Fonte: Jornal de Brasília

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