CPI da Saúde terá longa vida na Câmara

O silêncio pode custar muito tempo à CPI da Saúde. Para o membro do colegiado, deputado Bispo Renato Andrade (PR), devido à falta de colaboração dos alvos da comissão, a população terá de esperar pelo menos um ano para ouvir a conclusão das investigações. A culpa, segundo ele, é, em parte, do Governo de Brasília.

“(As testemunhas) não falam com medo de represália de quem estava acima deles (na Secretaria de Saúde). Não falam porque quando chegam aqui, o pessoal do governo vai todo em cima deles”, critica o deputado, em alusão à participação do ex-subsecretário Marco Júnior, na última semana. O antigo titular da pasta de Infraestrutura e Logística (Sulis) se valeu de um habeas corpus para não responder às perguntas dos políticos. Em entrevista ao Jornal de Brasília, Marco Junior admitiu ser o autor do organograma apresentado à CPI pela presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, mas negou ser de um esquema.

A sindicalista afirmou, ao ser convocada para a CPI, que o desenho tratava de um suposto esquema de propinas na Saúde, enquanto Júnior alegou ser apenas um mapeamento de indicações políticas, feito à época da saída do secretário Fábio Gondim, seu amigo pessoal.

“O Marco Júnior, com toda certeza, fez o organograma dizendo como funcionava a secretaria, mas indicando quem de fato mandava e onde os desmandos aconteciam. É fato que o Marcello Nóbrega, o cara que manda hoje, é preposto da primeira-dama”, afirma, em referência ao atual titular da Sulis.

A presidente da Câmara Legislativa, deputada Celina Leão, aventou até pedir ajuda à Polícia Federal para entender o que motiva as peças-chave das investigações a se manterem em silêncio. “A gente vai buscar a verdade, até porque a pessoa, de testemunha, passa a ser cúmplice (ao não colaborar). E se precisar indiciar alguém, a gente vai indiciar”, ameaça.

Ela também prevê uma CPI duradoura, por ainda estar no início dos trabalhos, e classifica as reações do governo à instauração da comissão de “desnecessárias”. “Diante da denúncia, as pessoas citadas não foram sequer suspensas, afastadas do serviço público. Quem foi afastado de um cargo comissionado foi o delegado que se propôs a investigar, na contramão da lógica”. esbraveja.

Olimpíada atrapalha depoimentos

O presidente da CPI, deputado Wellington Luiz (PMDB), não foi encontrado para comentar sobre o cronograma de trabalhos da comissão, que não ouvirá testemunhas esta semana devido aos Jogos Olímpicos.

Integrante da base governista na Câmara, o deputado Roosevelt Vilela (PSB), que já chamou a CPI de “pirotecnia” e se exaltou durante depoimento de Marli Rodrigues ao colegiado, também não retornou às tentativas de contato. Ele é suplente do deputado Joe Valle (PDT), que assumiu a secretaria de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, mas deixou o cargo. Assim, Vilela deve deixar a Casa este mês, ainda sem data definida.

Fonte: jornaldebrasilia

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