Temer destrava obras um dia antes de votação do impeachment

Retomada das obras, avaliadas em até R$ 10 milhões, atende a pedido dos senadores que decidirão entre hoje e amanhã se Dilma vai a julgamento final.

O presidente em exercício Michel Temer recebeu nesta segunda-feira no Planalto um grupo de senadores para definir um pacote de 1.519 obras paralisadas. O encontro ocorreu na véspera da votação no plenário do Senado do relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) sobre o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

A retomada dessas obras, com valores entre 500.000 reais e 10 milhões de reais, totalizando 1,8 bilhão de reais, atende a um pedido dos senadores e, indiretamente, é uma forma de fazer um aceno a eles, que serão os responsáveis pela análise final do impeachment.

Oficialmente, o Planalto tentou demonstrar distância da garantia de votos dos senadores. A votação no plenário hoje, embora exija maioria simples para dar andamento ao processo, será uma prévia dos números que Temer terá, no fim de agosto, para garantir ou não a permanência no cargo. A definição das obras seria anunciada no dia 2, mas foi adiada para esta segunda. Dos quatro senadores presentes, apenas Hélio José (PMDB-DF) não declarou seu voto, embora na admissibilidade do processo tenha votado contra Dilma.

“Esta reunião – e a definição da retomada das obras – é uma demonstração clara aos senadores que, se o presidente Temer permanecer no Planalto, acabará o cemitério de obras paralisadas”, disse o senador. Hélio José afirmou que Temer sinalizou que, concluída esta primeira fase, será dado início à segunda etapa, com 365 obras com valores entre 10 milhões de reais e 100 milhões de reais, totalizando desembolsos de 6,94 bilhões de reais. “Isto é outro sinal positivo.”

Estadão Conteúdo

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