Bumlai: Assessor de Lula me pediu para deixar obra do sítio

Pecuarista amigo do ex-presidente prestou depoimento nesta quarta-feira. Segundo ele, a obra foi solicitada pela então primeira dama, Marisa Letícia.

O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, declarou à Polícia Federal nesta quarta-feira que o ex-assessor especial do petista no Palácio do Planalto, Rogério Aurélio Pimentel, o procurou e pediu que “deixasse a obra” do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP). A conversa, segundo Bumlai, ocorreu em 2010. Na ocasião, o pecuarista estava ajudando na ampliação das acomodações do sítio, segundo afirmou, a pedido da então primeira dama, Maria Letícia.

Bumlai depôs no inquérito da Operação Lava Jato que investiga o ex-presidente como real proprietário do Santa Bárbara – o que é negado taxativamente pela defesa de Lula. Segundo o empresário, Marisa pediu a ele que ajudasse na ampliação para que a família pudesse “passar os finais de semana”.

O pecuarista afirmou ao delegado Márcio Anselmo, da PF, que solicitou a um engenheiro da usina da sua família que atendesse o pedido da mulher de Lula. Depois, disse Bumlai, “não teve mais contato com o assunto”. “O engenheiro providenciou tudo.”

Muito debilitado por um câncer na bexiga e complicações cardíacas, o pecuarista chegou e saiu da sede da PF em São Paulo amparado por seus advogados, Daniella Meggiolaro e Conrado Almeida Prado. Ele está em regime de prisão domiciliar, mas o juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em Curitiba (PR), determinou seu retorno à prisão fechada no dia 23. Bumlai é réu em uma ação penal por causa do emblemático empréstimo de 12 milhões de reais tomado por ele junto ao Banco Schahin, em outubro de 2004. O dinheiro foi destinado ao PT. Bumlai diz que foi “o trouxa perfeito do PT”.

Sobre as obras no Santa Bárbara, na PF, o pecuarista relatou que “após uns dias, recebeu ligação de Aurélio para deixarem a obra, pois não estava andando a contento”. O então assessor especial de Lula informou que “uma construtora de verdade iria tocar a obra”. De acordo com Bumlai, “tinham pressa na reforma”.

O próprio Aurélio já depôs à PF, no dia 4 de março, na Operação Aletheia – desdobramento da Lava Jato que levou Lula para prestar depoimento de forma coercitiva. Na ocasião, Aurélio disse que exerceu a função de assessor especial desde janeiro de 2003 até 2011 – antes, foi chefe do Almoxarifado da Prefeitura de Mauá, na Grande São Paulo.

Em seu depoimento, Aurélio resumiu a obra: “construção de bloco de quatro suítes, bem como a reforma da piscina”. Ele também revelou ter levado “envelopes com dinheiro” para efetuar pagamentos em um depósito de materiais de construção. “Não sabe dizer quem pagava pelos custos dos materiais comprados e usados na obra. Chegou por duas vezes a levar envelopes com dinheiro para pagar no depósito de materiais de construção, pelos materiais usados na obra, sendo que recebia os envelopes com o dinheiro da pessoa de Frederico e entregava os envelopes ao responsável pelo depósito”, disse o ex-assessor de Lula, na época.

Em nota, os advogados do ex-presidente Lula esclarecem, em relação ao depoimento de Bumlai à Polícia Federal, que:

“(a) A Operação Lava Jato não pode ter qualquer dúvida sobre a propriedade do Sítio de Atibaia. Desde março, os investigadores dispõem de farta documentação fornecida pelos proprietários – Fernando Bittar e Jonas Suassuna – comprovando, dentre outras coisas, que (i) eles adquiriram a propriedade com recursos próprios e (ii) pagaram com recursos próprios manutenção e reformas no local. A prova sobre a propriedade de um imóvel é documental, e já foi feita pelos donos do sítio;

(b) O ex-presidente, portanto, não é o proprietário do Sítio de Atibaia, que pertence às pessoas que efetivamente constam no título de propriedade arquivado no Cartório de Registro de Imóveis;

(c) O ex-presidente – que é amigo de Jacó Bittar há mais de 40 anos – frequentou o local com seus familiares a partir de 15/01/2011, a convite dos proprietários. Tal fato não é crime, e tampou existe qualquer elemento concreto que possa vincular uma investigação sobre a propriedade à Operação Lava Jato.

Estadão Conteúdo

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