Escândalo dos grampos é “prioridade do MPDFT”, afirma vice-procuradora

Há muito tempo não se via uma mobilização de forças tão intensa dentro do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Desde que grampos com denúncias sobre corrupção e propinas na saúde pública local começaram a aparecer, diversas promotorias passaram a se comunicar e levaram ao surgimento de uma espécie de força-tarefa dos grampos. Esse grupo envolve, além da Procuradoria-Geral — responsável pela investigação relacionada a políticos com foro privilegiado —, a Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus); a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep); o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco); e o Ministério Público de Contas (MPC).

A vice-procuradora-geral do MPDFT, Selma Leite Sauerbronn, que preside as investigações, evita usar o termo força-tarefa, que, na visão dela, envolveria um rito formal, o que ainda não ocorreu. Mas essa união de esforços já tomou conta dos trabalhos da instituição. “A prioridade do MP hoje é essa investigação”, cravou.

Em conversa de quase uma hora com o Metrópoles, ela avaliou que a atual situação é a mais grave que o Distrito Federal enfrenta há anos. “Só a Caixa de Pandora é algo que se aproxima disso aí”, comparou, em referência ao escândalo que levou à queda do então governador José Roberto Arruda (PR).

Ao ser questionada sobre o curso das investigações, ela se esquiva de respostas diretas, sempre recorrendo ao fato de que tudo está sob sigilo. Mas Selma Sauerbronn não descarta a possibilidade de se repetirem no DF situações vistas no plano federal ao longo da Operação Lava Jato, como delações premiadas e pedidos do MP pelo afastamento de políticos, como ocorreu com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Uma investigação é um processo. A partir do momento que se desenvolve, informações vão chegando e providências são adotadas. É o normal de toda e qualquer investigação. O que acontece no plano federal é muito possível que aconteça em Brasília”, afirmou.

Confira a seguir os principais pontos da conversa.

Prioridade
“Se antes havia uma certa tolerância com a corrupção por parte da sociedade, hoje não há. Estamos atravessando um momento muito complicado na economia. Por isso, quando as pessoas veem notícias de desvios de dinheiro público, ficam revoltadas, querendo uma resposta. A prioridade do MP hoje é essa investigação.”

Afastamento de políticos
“Uma investigação é um processo. A partir do momento em que se desenvolve, informações vão chegando e providências são adotadas. O que acontece no plano federal pode ocorrer em Brasília. Tudo isso depende da análise que se faz a partir de uma série de dados coletados. E essa análise está sendo feita com colegas de várias áreas, do Gaeco, da central de inteligência… Tem todo um aparato de membros do MP. O fato é gravíssimo. Só a Caixa de Pandora se aproxima disso aí. Até por essa razão, requer muito esforço, dedicação e celeridade.”

Força-tarefa
“O que está sendo feito com relação a esse fato é que uma força-tarefa já existe. Flui com muita tranquilidade, com colegas do MP de Contas e também com os colegas da Saúde e da Prodep. De fato, essa força-tarefa já existe. Não há necessidade de um ato formal para instituí-la. De fato, já se tem essa conjugação de esforços. Mas não gosto desse termo, porque ele está associado a baixar um ato dizendo que se criou, e não precisou disso.”

Sentimento
“É muito triste, como cidadã, me deparar com esse tipo de notícia (de corrupção). Para nós, do MP, que somos membros da instituição e cidadãos, poder colaborar com esse tipo de investigação é um sentimento ambivalente. Se, como cidadão, tenho tristeza; ao mesmo tempo, há como lutar contra isso, pois estou em uma instituição que tem como missão combater a corrupção no DF. O que me move no MP é a questão do ideal. Por isso, essa questão da corrupção enoja a todos nós. Ficamos com o coração sangrando.”

Delações premiadas
“Em qualquer investigação, podemos cogitar tudo. Numa investigação, pode-se utilizar de todos os instrumentos processuais respaldados na investigação penal. Todos os instrumentos processuais estão disponíveis.”

CPI da Saúde na CLDF
“Essa competência da Câmara Legislativa para criar CPIs (comissões parlamentares de inquérito) está prevista dentro da Lei Orgânica do DF. Eles seguem dentro do que está previsto na lei e o que consideram adequado ou não. A investigação do MP tem outros parâmetros. É completamente diferente. Aqui, temos o compromisso de apurar a verdade. Não que eles (distritais) não tenham. Em uma investigação, tem que deixar o leque o mais aberto possível. E depois vai puxando, trazendo, formando as ilhas de elementos para buscar responsabilização.

Fonte: Metrópoles

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