Computadores não foram retirados da Câmara do DF, diz Polícia Legislativa

Autor da denúncia, Chico Vigilante emitiu nota contestando a informação. Polícia Civil fez busca em gabinetes nesta terça; Mesa Diretora foi afastada.

Responsável pela segurança da Câmara Legislativa, a Polícia Legislativa do Distrito Federal informou nesta terça-feira (23) que não há registro, em imagens, de computadores sendo retirados do gabinete da presidência, no quinto andar. A verificação foi feita por determinação judicial, segundo a corporação.

Pela manhã, o deputado Chico Vigilante (PT) afirmou que um assessor da presidente afastada, Celina Leão (PPS), tinha sido visto colocando computadores em seu carro pessoal na garagem da Câmara Legislativa na tarde de segunda (22). Segundo ele, a denúncia foi feita por um servidor da Casa que pediu anonimato.

O coordenador de Polícia Legislativa, Mário Gomes da Nóbrega, afirma no documento desta terça que peritos da Polícia Civil analisaram imagens gravadas na segunda, entre 13h e o fim do expediente. Segundo o memorando, nada foi encontrado. O G1 tentou confirmar a informação com a Polícia Civil, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

“Por oportuno, informo que foram, também, vistoriados pelos peritos criminais, os livros de controle de entrada e saída de materiais feitos pelo serviço de vigilância, não sendo constatado nenhum registro”, diz o memorando. O documento é endereçado ao secretário-geral da Câmara, José Wilson Porto.

Contestação
Autor da denúncia, Vigilante emitiu uma nota no fim da noite de terça contestando o memorando. Segundo o deputado, peritos da Polícia Civil disseram a ele que não acessaram os livros de controle, ao contrário do que diz a Polícia Legislativa.

Vigilante também diz ter ouvido dos peritos que a ausência de imagens da retirada dos computadores “não comprova se houve ou não gravação desta ação, em análise preliminar”. O texto não informa se o deputado vai questionar o memorando por vias oficiais.

Investigação
A polícia apura denúncias da deputada Liliane Roriz (PTB) de que a presidente da Câmara, Celina Leão (PPS), articulou um esquema de pagamento de propina e desvio de recursos de emendas parlamentares que seriam usados para pagar contratos de gestão de UTIs.

Os principais alvos da operação policial desta terça são os membros da Mesa Diretora: Celina Leão, o primeiro secretário, Raimundo Ribeiro (PPS), o segundo, Júlio César (PRB), e o terceiro, Bispo Renato Andrade (PR). Também é alvo o deputado Cristiano Araújo (PSD).

O servidor da Câmara Alexandre Braga Cerqueira, o ex-servidor Valério Neves Campos e o ex-presidente do Fundo de Saúde do DF Ricardo Cardoso também foram intimados a depor. Eles são suspeitos de integrar o esquema denunciado.

No total, foram cumpridos nesta terça-feira 14 mandados de busca e apreensão, 8 mandados de condução coercitiva e 4 de afastamento cautelar. As buscas foram feitas nos gabinetes parlamentares, na Presidência da Câmara e na residência das pessoas citadas. Segundo o Ministério Público, todos se apresentaram espontaneamente, dispensando o cumprimento da condução coercitiva.

“As investigações são sigilosas. Elas vieram a conhecimento público antes do momento que julgávamos oportuno. Essa palavra é muito cara, porque o princípio mais importante da investigação é a oportunidade. Isso exigiu do MP e do Judiciário a tomada de medidas na manhã de hoje”, afirmou o promotor de Justiça do Grupo de Apoio ao Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Clayton Germano.

A ação policial ocorre quase uma semana depois de a corporação apreender documentos e computadores no Palácio do Buriti, em uma investigação para apurar suspeitas de extorsão contra a presidente do sindicato dos servidores na Saúde (SindSaúde), Marli Rodrigues.

Nos áudios feitos por Liliane, Celina fala sobre mudança de finalidade de uma emenda parlamentar que direcionou R$ 30 milhões da sobra orçamentária da Câmara a um grupo de seis empresas que prestam serviço de UTI. Segundo as denúncias, parte dos recursos foram repassados a deputados da Mesa Diretora.

Fonte: G1

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