Médicos da máfia das próteses cobravam comissão de 15% por “serviço”

Até a tarde deste sábado (3), 15 pacientes procuraram a Polícia Civil do Distrito Federal com denúncias como cobranças abusivas, cirurgias desnecessárias e erros médicos. O grupo também é acusado de tentar matar uma mulher que suspeitava das irregularidades e ameaçou denunciar.

Os depoimentos serão parte importante da investigação e se somarão ao farto material apreendido nas buscas realizadas na quinta (1º) e sexta-feira (2). As equipes estão debruçadas na análise de  documentos, arquivos, HDs e prontuários médicos, além de equipamentos que foram recolhidos no cumprimento de mandados expedidos pela Justiça.

O esquema
Segundo a investigação dos promotores e dos policiais civis, o grupo usava os procedimentos cirúrgicos para ganhar cada vez mais dinheiro. Entre as 13 pessoas presas na Operação Mister Hyde, estão médicos e representantes de empresas fornecedoras de órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs). Destas, cinco foram soltas nesta sexta.

Mulher de 34 anos que foi submetida a sete cirurgias quase morreu ao ter um material metálico de 53 centímetros deixado na jugular, após ameaçar denunciar esquema.Cerca de 60 pacientes, de acordo com a polícia, foram lesados em 2016 somente por uma empresa, a TM Medical. O esquema teria movimentado milhões de reais em cirurgias, equipamentos e propinas. Há casos de pessoas que foram submetidas a procedimentos desnecessários, como sucessivas cirurgias, com o objetivo de gerar mais lucro para os suspeitos. Em outros, conforme revelado pelas investigações, eram utilizados produtos vencidos e feita a troca de próteses mais caras por outras baratas.

Monstros
Diante da gravidade das acusações, a própria polícia e promotores do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) compararam os médicos a “monstros”. A operação, inclusive, foi batizada de Mister Hyde, numa referência ao filme “Dr. Jekyll and Mr. Hyde” ou “O Médico e o Monstro”.

Baseado no romance “Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde” (“O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde”), de Robert Louis Stevenson, publicado em 1886, mostra as duas faces de um médico. A história se passa em Londres, no século XIX. O médico e pesquisador Henry Jekyll crê que o bem e o mal existam em todas as pessoas.

Jekyll tem muita determinação para provar sua teoria e, por isso, após trabalhar incansavelmente em seu laboratório, elabora uma fórmula e a ingere. Como resultado, seu lado demoníaco é revelado, que ele chama de Mr. Hyde. O pior é que o personagem não consegue controlar a sua face do mal.

De acordo com o promotor Maurício Miranda, da Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários dos Servidores de Saúde (Pró-Vida), os pacientes eram vistos como “projetos econômicos” pelos integrantes da organização, incluindo os médicos.

Hospital esclarece
Em nota divulgada neste sábado, o hospital informou que tem contribuído com as autoridades no sentido de serem devidamente apurados os fatos desde a deflagração da operação, disponibilizando todos os documentos e explicações solicitadas.

Sobre os fornecedores de órteses e próteses, a instituição explica que “não há qualquer tipo de favorecimento no Home”   Informa, ainda, que a TM Medical “tem baixa participação no volume de cirurgias realizadas no hospital”.

A unidade reitera que presta total apoio às investigações realizadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Distrito Federal.

Fonte: Metrópoles

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