Um país partido

Por Sandro Gianelli

Pela metade

Virou moda no Brasil dividir as decisões importantes. Mal havia saído o resultado das eleições de 2014 e os principais comentaristas políticos do país avaliavam que o Brasil estava partido. Na parte de cima tínhamos a maioria de eleitores do PT, na parte de baixo o voto era no PSDB.

Piada

A piada que ninguém gostaria de ouvir só começou a acontecer após um ano e meio do segundo governo Dilma.

Partido 1

A primeira piada foi a do desmembramento da punição da ex-presidente Dilma, que perdeu o mandato, mas manteve a possibilidade de disputar eleições e ser nomeada em cargo de comissão.

Partido 2

A segunda piada foi quando ontem (7) o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o presidente do Senado, Senador Renan Calheiros (PMDB), fosse mantido na presidência do Senado, mesmo tendo se tornado réu em uma ação no tribunal.

Motivo

O motivo alegado para afastar Renan da presidência do senado é que réu não pode ficar na linha sucessória da Presidência da República.

Sem República

Para mantê-lo no cargo a alegação foi a de que ele não pode suceder o presidente da República. Passando a bola para frente na linha sucessória.

Opa! Opa!

O presidente da Câmara dos Deputados, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) foi afastado da presidência da Câmara por ser réu e estar na linha sucessória da Presidência.

Interesse

A quem interessou retirar Dilma da presidência? A quem interessou manter seus direitos políticos? A quem interessou retirar Eduardo Cunha da presidência da Câmara? E por fim, a quem interessou manter Renan Calheiros na presidência do Senado?

Chico sem Francisco

Existe um ditado popular que diz que “Pau que dá em Chico, dá em Francisco”, na vida da maioria da população esse ditado até pode valer, mas para a classe política, não.

Credibilidade

Logo após o resultado do STF ficou claro que boa parte da população não concordou com o resultado. Não era o esperado. Assistindo e ouvindo à participação popular em alguns programas de rádio e TV é nítido que o último poder – Judiciário – também dá indícios de perca de credibilidade.

Vice

Ficou claro que se o senador Renan fosse afastado, seu vice, Jorge Viana (PT) poderia prejudicar os planos do Palácio do Planalto. O que torna ainda mais difícil de se aceitar a decisão do Supremo. Mais uma vez eu pergunto: a quem interessa que Jorge Viana não assuma a presidência?

Movimentos

Os movimentos populares tinham um foco claro que era atacar o senador Renan Calheiros. Talvez a força tenha sido além do necessário para o governo.

Enfraquecimento

O que se queria era enfraquecer Renan para que ele não conseguisse eleger um sucessor na presidência do Senado. Porém, afastá-lo, dando espaço para o PT, passou da conta.

Jeitinho brasileiro

Até quando o jeitinho brasileiro dominará nossa cultura? Até quando daremos um jeitinho para partir o país e em nome de quem? Resultado, credibilidade em baixa.

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