Funaro: Temer e Cunha ‘confabulavam diariamente’ para ‘tramar’ impeachment de Dilma Rousseff

FOTO: DIDA SAMPAIO/AE

O operador financeiro Lúcio Funaro afirmou que o presidente Michel Temer e o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) “confabulavam diariamente” para “tramar” a aprovação do impeachment de Dilma Rousseff.

A informação consta do roteiro do acordo de delação premiada de Funaro, apontado como operador financeiro de propinas do PMDB.

Procurada, a assessoria de Temer divulgou nota (leia a íntegra mais abaixo) na qual disse que Funaro se pretende estar “bem melhor informado do que os jornalistas de vários veículos de comunicação de Brasília que acompanharam de perto todo o caso”. O advogado de Cunha, Délio Lins e Silva Júnior, afirmou que só vai comentar o caso quanto tiver acesso ao conteúdo da delação de Funaro.

Dilma foi afastada do mandato em 12 de maio do ano passado, e o impeachment dela foi aprovado em 31 de agosto. O processo começou em dezembro de 2015, quando Temer era vice-presidente da República e Cunha, presidente da Câmara dos Deputados (hoje ele está preso).

“[Funaro disse] que a relação de Eduardo Cunha e Michel Temer oscila, dependendo do momento político. [Acrescentou] que, por exemplo, na época do impeachment de Dilma Rousseff, eles confabulavam diariamente, tramando a aprovação do impeachment e, consequentemente, a assunção de Temer como presidente”, diz o anexo da delação de Funaro.

Durante todo o processo de impeachment, e até mesmo depois de deixar a Presidência, Dilma sempre atribuiu a Temer, a Cunha e a parte da oposição a articulação de um “golpe” para destituí-la.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT e partidos que apoiavam Dilma, como PDT e PCdoB, também sempre se posicionaram dessa maneira sobre o impeachment.

Em um discurso em 10 de maio do ano passado, por exemplo, Dilma chegou a dizer que estava cansada de “desleais” e “traidores”.

“Quero dizer a vocês que não estou cansada de lutar. Estou cansada dos desleais e dos traidores. Tenho certeza que o Brasil também está cansado dos desleais e traidores, e é esse cansaço que impulsiona a minha luta cada dia mais”, disse Dilma à época.

“Temos de dar nomes aos bois. Este é um processo [de impeachment] conduzido pelo ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e pelo vice-presidente [Michel Temer]. Os dois proporcionaram ao país esta espécie moderna de golpe, um golpe feito rasgando a nossa Constituição”, acrescentou.

Íntegra

Leia abaixo a íntegra da nota do Palácio do Planalto:

Versões de delator já apontado pelo Ministério Público Federal como homem que traiu a confiança da Justiça não merecem nenhuma credibilidade. O criminoso Lúcio Funaro faz afirmações por “ouvir dizer” ou inventa narrativas para escapar de condenação.

No caso do impeachment, o delator se arvora estar bem melhor informado do que os jornalistas de vários veículos de comunicação de Brasília, que acompanharam de perto todo o caso e noticiaram acordo fechado por Eduardo Cunha com o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, pelo qual ele teria apoio do PT na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. Esses veículos publicaram que, como o PT não cumpriu seu acordo, Cunha deu seguimento ao pedido de impeachment. A própria ex-presidente acusou Cunha de vingança. Agora, Funaro insinua estar corrigindo os jornais da época, que teriam então informado incorretamente a seus leitores. Ou deve estar, como sempre o fez, mentindo mais uma vez.

Fonte: G1

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; autor do Blog do Sandro Gianelli; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 12h às 14h, na Rádio OK FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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