Alienação eleitoral deve crescer

Voto facultativo. Apesar da alta taxa de abstenção, o cientista político Malco Camargos diz que o voto facultativo não é uma boa escolha. Para ele, o que desestimula o eleitor é o distanciamento dos ideais dos partidos.

Fenômeno deve mudar a forma de fazer campanha no Brasil

Um dos fenômenos consequentes da alienação eleitoral, segundo o cientista político da UFMG Felipe Nunes, será a mudança na forma de fazer campanha política. Atualmente, as campanhas são focadas na comparação entre os candidatos. Quem está na disputa tenta convencer o eleitor expondo suas qualidades, defendendo bandeiras ideológicas e quase sempre atacando o adversário.

De acordo com Felipe Nunes, diante do grande número de pessoas que deixaram de participar dos últimos pleitos, as campanhas passarão a ter que trabalhar também estratégias para convencer a população de votar. “Além de fazer o eleitor comparar os perfis, as campanhas terão que ser capazes de interessá-los pela eleição”, afirma.

Para que essa estratégia seja montada, Felipe Nunes explica que as campanhas deverão identificar quais segmentos da população não estão participando das eleições e por quais motivos. De acordo com ele, essa identificação será feita por meio de mecanismos de pesquisas rigorosos. “Vamos ver agora as pesquisa ganhando cada vez mais espaço”, diz.

Segundo o cientista político, as pesquisas deverão ser elaboradas sobre temas que sejam de maior interesse dessas pessoas que se ausentam no jogo político. Só assim será possível trabalhar o engajamento e a mobilização desse eleitorado. Ele explica que, por exemplo, em uma eleição em que a disputa é baseada na questão da economia, se o Estado tem que ser maior ou menor, esse assunto atinge pouca gente no particular. “Com esse discurso, tem um grupo ideológico que faria essa discussão, mas isso não envolveria muita gente”, afirma.

Nada disso. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, mesmo que mais de 50% dos votos sejam nulos ou em branco, a eleição não é anulada. Um candidato pode ser eleito tendo apenas um voto.

Situação torna uma reeleição mais fácil

A alienação eleitoral registrada nas últimas eleições e que tende a subir em 2018 só tem um beneficiário: a atual classe política. Segundo Felipe Nunes, só a participação da população no pleito permitiria a renovação. “A conta é simples: se todo mundo que depende da política ou que tem algum envolvimento com ela participar do jogo, é claro que essas pessoas defenderão a manutenção do status quo, e não a mudança e a renovação. Isso só vem quando tem setores médios da sociedade se movendo em uma direção ou em outra para pedir e querer mudança”, explica.

De acordo com ele, o “eleitor médio”, que é razoável, tende ser o mais capaz de distinguir os processos e, com isso, fazer com que o jogo político seja, de fato, um jogo entre grupos que possam ser comparáveis. “Esses eleitores que não têm nenhum vínculo ou dependência com a política, ou com ideologia mesmo, serão os primeiros a se afastarem, e são esses os capazes de mover maiorias para que novos grupos se aproximem do sistema”, afirma.

 Fonte: O Tempo
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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; autor do Blog do Sandro Gianelli; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 12h às 14h, na Rádio OK FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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