Candidatos driblam lei eleitoral com caravanas

A quase um ano das eleições de 2018, os possíveis candidatos que disputarão o cargo de presidente da República já estão há meses em ritmo de campanha. Eles visitam municípios de diversas regiões do país, participam de eventos, concedem entrevistas e apresentam suas ideias para o povo brasileiro – ações bastante semelhantes a atos de períodos eleitorais, o que nos leva a pensar que o jogo já está a pleno vapor. De acordo com o artigo 36 da Lei Eleitoral, a propaganda só é permitida a partir do dia 15 de agosto do ano que vem.

A vice-presidente da comissão de direito eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Gabriela Rollemberg, no entanto, explicou que a legislação admite esses tipos de eventos, desde que certos cuidados sejam observados. “As viagens, os eventos fechados para discussão de plano de governo, propaganda partidária na TV e no rádio, tudo isso é liberado. O que não é permitido é o pedido de voto explícito, a organização de comícios e a distribuição de material de campanha”, diz.

Ainda segundo a advogada, a linha entre o que é e o que não é permitido nesse período é muito tênue. “Dependendo do conteúdo do discurso e do ambiente, pode se configurar pedido de voto”, afirma. Nesses casos, cabe ao Ministério Público Eleitoral ou a partidos políticos entrarem com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o candidato que estiver desrespeitando as regras.

Além da questão legal, muito se questiona sobre a eficácia dessa pré-campanha tão antecipada. Para o marqueteiro político Paulo Moura, a “ansiedade” dos candidatos é um “tiro no pé”. Segundo ele, os postulantes estão agindo sem levar ao eleitor o mais importante: a informação.

“As campanhas eleitorais mais exitosas são as que possuem um grande volume de informação e menos espetacularização”, afirma. Ele explicou que, em uma campanha eleitoral, é muito importante levar em consideração o humor das pessoas. “Atualmente a população se apresenta apática em relação à política, o que não é nem um pouco positivo para esse tipo de estratégia. Qualquer movimento nessa direção gera um resultado negativo”, diz.

De acordo com Paulo Moura, esse é o pior momento para se discutir política com a população. “Há uma descrença quando você traz esse assunto. As pessoas não querem nem discutir, o que é muito prejudicial. Até o enfrentamento, a discordância, é melhor do que a apatia”, afirma.

Entretanto, o marqueteiro explica que as eleições devem, sim, estar na agenda dos políticos, mas de uma forma diferente. Agora, na opinião dele, é a hora de pensar em estratégias internas e em articulações políticas. “Eles deveriam estar preocupados em fazer alianças com líderes regionais, pesquisas de perfil de candidato e de eleitor, levantamento de demandas para a elaboração de um plano de governo consistente, ou seja, acumular informações para gerar conteúdo pra a campanha”, afirma.

Fonte: O Tempo

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