Polarização, radicalismo e passado: o que esperar de um 2.º turno com Lula e Bolsonaro

Líderes em todas as pesquisas eleitorais que testam seus nomes para a Presidência da República no ano que vem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) podem se enfrentar no segundo turno em 2018. Nesse cenário, a segunda fase das eleições seria marcada pela polarização, radicalismo e resgate histórico, de acordo com especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo.

Na última pesquisa eleitoral*, divulgada pelo Ibope neste fim de semana, a dupla foi testada junta em três cenários com diferentes concorrentes. O petista varia entre 35% (duas vezes) e 36% das intenções de voto e o parlamentar, entre 13% e 15% (duas vezes). Em todos os cenários, eles estão a frente de nomes como o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), o apresentador de TV, Luciano Huck (sem partido), a ex-senadora Marina Silva (Rede), o senador Álvaro Dias (Podemos), o senador Ronaldo Caiado (DEM) e o deputado Chico Alencar (PSOL). A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Para Marcos José Zablonsky, especialista em marketing político da PUC-PR, ainda é cedo para ter certeza sobre como será a eleição no ano que vem, já que uma há série de fatores que ainda precisam ser definidos, como a própria possibilidade de candidatura de Lula, que enfrenta processos judiciais que podem torná-lo inelegível.

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Mas uma coisa é certa: em um segundo turno entre Lula e Bolsonaro, a polarização é dada como certa. Isso pode fazer com que o resultado seja bastante equilibrado, como ocorreu em 2014, na disputa entre a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o candidato tucano Aécio Neves. “Teremos um segundo turno bem equilibrado, mas com muitos votos brancos e nulos”, explica o diretor do instituto Paraná Pesquisas Murilo Hidalgo.

Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes**, divulgada no final de setembro deste ano, mostrou Lula em primeiro lugar em todas as simulações de segundo turno testadas com seu nome. Em um cenário disputado por Lula e Bolsonaro, o petista garantiria 40,5% dos votos no segundo turno, enquanto o deputado ficaria com 28,5%.

Já uma pesquisa do Datafolha***, divulgada no início de outubro, mostra vitória de Lula sobre Bolsonaro no segundo turno por 47% a 33% das intenções de voto.

Para Hidalgo, ainda é difícil dizer quem leva a melhor em um segundo turno com Lula e Bolsonaro antes do posicionamento dos demais atores políticos que devem disputar as eleições. “Se todo mundo apoiar o Bolsonaro, ele pode ser favorito. Se o PSDB não apoiar ninguém, acabou o Bolsonaro”, explica.

“A gente tem que ver onde vão os apoios políticos de cada um, principalmente do PSDB e do PMDB. O PMDB já tem uma base que está com o Lula, mas para onde vai a outra?”, resume o diretor da Paraná Pesquisas.

Zablonsky concorda que os apoios políticos podem ser cruciais para o resultado final. “No sistema político brasileiro a eleição é muito complexa. Se não tiver apoio [político] e apoio midiático forte, vai ser complicado”, diz o especialista.

Estratégias

Para Zablonsky, os dois principais candidatos devem adotar estratégias bem diferentes nas eleições de 2018. “O discurso do Bolsonaro é bastante radical, tem a questão da violência, do uso do armamento, tem a questão das mulheres”, analisa. “Tudo vai depender dos grupos econômicos em analisar o que o Bolsonaro tem a oferecer”, completa.

Já o ex-presidente Lula, segundo o especialista, deve apostar em um resgate de suas duas gestões à frente do governo federal, período em que o país esteve economicamente estável. “Ele vai resgatar o passado dele, aquele período econômico”, aposta Zablonsky. Apesar de ser de um partido menor que o PT, no segundo tempo ambos os candidatos terão o mesmo tempo de TV.

Nos debates, segundo o especialista em marketing eleitoral, o petista tende a ter vantagem, devido à experiência de cinco campanhas presidenciais. “O Lula não é um candidato a ser subestimado, ele tem uma linguagem, fala com um público específico”, diz o especialista.

Ficha técnica

* A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 22 de outubro de 2017. Foram ouvidas 2002 pessoas em 143 municípios brasileiros e a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos

** O levantamento da CNT/MDA foi realizado de 13 a 16 de setembro em 137 municípios de 25 unidades federativas. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

*** A pesquisa foi feita na quarta-feira (27) e na quinta (28), com 2.772 entrevistas em 194 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Fonte: Gazeta do Povo

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