Com recuo de Huck, cenário das eleições de 2018 volta a embolar

O apresentador Luciano Huck ainda não tinha prometido uma candidatura. Mesmo assim, a desistência de alguém que nunca foi candidato à Presidência da República, anunciada ontem em um artigo na “Folha de S. Paulo”, foi importante e movimentou o cenário nacional, por aquilo que nele foi projetado.

Tido como um nome com visibilidade, pouca rejeição e que representaria uma alternativa à polarização entre Lula e Bolsonaro, ele já era visto nas últimas semanas como viável para uma candidatura de centro, por sua capacidade de empatia com os mais pobres e por representar um viés liberal e moderno na economia, tendo o economista Armínio Fraga, um dos maiores investidores do país, como entusiasta.

Mesmo que Huck nunca tenha representado de fato um projeto de Brasil, sua saída do páreo pode intensificar a proliferação de nomes para ocupar esse vácuo que se abre no centro, apontam analistas políticos. Com a busca desse novo que ninguém sabe ao certo o que é e em parte pelo desnorteamento dos grandes partidos, o espaço pode ser disputado até por personalidades sem verniz eleitoral.

“Lideranças do PPS jogaram muito forte para alavancar Huck como um homem de consenso do centro democrático. O problema é que o centro é fragmentado e não tem programa, tem pontos. Além disso, Huck não é um quadro do sistema político formal. Enfrentar uma eleição pressupõe familiaridade com os grandes temas, capacidade de articulação. A desistência dele demonstra a percepção que o próprio ator político teve da dificuldade de articular esse centro, tão difuso, em torno dele”, acredita o cientista político da Mackenzie Rogério Baptistini.

Para o doutor em Ciências Políticas e professor da UVV Vitor de Ângelo, a candidatura de Huck representava uma boia de salvação no mar revolto para uma parcela da população: alguém moderado, desconectado da política tradicional, jovem e com um projeto mais inclinado ao mercado, e que teria muitas facilidades por ser carismático e conhecido, nesta campanha que será tão curta, com 45 dias.

“Um candidato novo absolutamente desconhecido está morto na campanha. Huck foi alçado porque se encaixava em um modelo que uma parte dos eleitores está procurando. Mas ele se foi, e o molde também se foi. Quem vai ocupar essa forma?”, avalia.

NOMES

Com o perfil de outsider, o nome mais tangível tem sido o do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, que se filiaria ao PSB.

No espectro entre a centro-direita e centro-esquerda, as apostas são Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (PSD), Ciro Gomes (PDT) e Cristovam Buarque (PPS), ou um nome patrocinado por Temer, PMDB e DEM, como Rodrigo Maia (DEM) ou João Doria (PSDB).

“A eleição de 2018 pode repetir a de 89, que foi a que mais teve candidaturas: 15. Muitos políticos tradicionais se arriscaram, e todos tiveram poucos votos. De agora até maio, devemos assistir a uma tentativa desesperada de inflar novas candidaturas”, aponta De Ângelo.

Fonte: Gazeta Online

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