On´s e Off´s | Eleições de 2018 correm o risco de reeditarem as eleições de 1989

Por Sandro Gianelli

Eleição de 1989 reeditada

A palavra de ordem para as eleições de 2018 será a fragmentação. O motivo será a falta de capacidade dos partidos se organizarem, o que fará com que o cenário eleitoral se pareça com o das eleições de 1989. Nas eleições de 1989 o brasileiro pôde escolher seu Presidente da República entre 22 candidatos. A maioria das candidaturas foram com chapa pura (apenas um partido). Duas coligações tinham dois partidos, uma coligação com três e uma com quatro.

Segundo turno

O segundo turno das eleições de 1989 foi disputado exatamente pelos dois candidatos que possuíam as maiores coligações. Fernando Collor (foto) era o candidato do extinto PRN, que tinha aliança com o PSC, PST e PTR. Já o candidato Lula da Silva do PT, se coligou com o PSB e PCdoB.

Importância das coligações

Mesmo numa eleição tão fragmentada a força das coligações foram predominantes. Collor era o único candidato com 4 partidos em torno de sua candidatura e Lula (foto) o único com três partidos. O resultado todos conhecem, venceu Fernando Collor, que protagonizou o primeiro Impeachment da República.

Esperança ou desconfiança

Com a nação despedaçada e os eleitores cada vez mais descrentes com os políticos o dia 7 de outubro de 2018 (data da votação em primeiro turno) será marcado pela desconfiança, ao invés da esperança. Honestidade deveria ser uma obrigação, mas nesta conjuntura será um dos grandes desafios dos políticos – provar que é honesto.

Preferência do eleitorado

Nas eleições de 1989, apesar dos 22 candidatos, apenas quatro somaram 75,67% da preferência do eleitorado. Foram eles: Fernando Collor (PRN) com 30,47%, Lula da Silva (PT) com 17,18%, Leonel Brizola (PDT) com 16,51% e Mário Covas (PSDB) com 11,51%.

Reedição 1

Nas eleições de 2018 Fernando Collor (PRN) pode ser comparado a Jair Bolsonaro (partido indefinido), Lula da Silva (PT) – caso seja candidato – será o mesmo candidato do PT, Leonel Brizola (PDT) deve ser substituído por Ciro Gomes e Mário Covas (PSDB) deverá ser substituído por Geraldo Alckmin.

Reedição 2

No primeiro cenário a coluna fez um comparativo com os quatro primeiros colocados nas eleições de 1989, mas poderíamos comparar Jair Bolsonaro a Enéas Carneiro ou João Dória a Fernando Collor. E se quisermos ir adiante, podemos comparar Luciano Huck a Silvio Santos. Silvio não disputou a eleição. Será que Huck disputará?

Fatos históricos 1

Em janeiro de 1985, morre Tancredo Neves, o primeiro presidente eleito após décadas de regime militar. Tancredo sequer chegou a assumir o cargo, seu falecimento frustrou o eleitorado brasileiro. Tancredo era moderado e combatia o governo militar, era detentor de bastante crédito e confiança considerável com a sociedade. Derrotou Paulo Maluf numa eleição indireta (sem o voto popular).

Fatos históricos 2

No dia 31 de agosto de 2016, a presidente Dilma Roussef, primeira mulher eleita para comandar o Brasil passou a ser o segundo Presidente da República à sofrer um processo de impeachment. O primeiro foi Fernando Collor, em 1992.

Descrença

Os fatos atuais com o impeachment de Dilma, o avanço das investigações da Operação Lava Jato e diversas outras investigações que ocorrem em nível nacional e em vários estados causam enorme descrença entre o eleitorado e os políticos.

Falta de esperança

Em 1989, o eleitorado vinha dos efeitos do Regime Militar, em 2018, os efeitos são da Democracia, da Liberdade e do alto índice de corrupção que assola o País. Dois momentos diferentes, o primeiro era marcado pela esperança, o segundo corre o risco de ser conhecido pela falta de esperança e descrença na classe política. Este colunista espera que o resultado de 2018 seja melhor do que o de 1989.

* A Coluna é escrita por Sandro Gianelli e publicada de segunda a sexta no Blog do Sandro Gianelli, no Jornal Alô Brasília e no Portal Alô Brasília.

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; autor do Blog do Sandro Gianelli; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 12h às 14h, na Rádio OK FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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